O reinado que construí


Me fiz tão presente, que quando me ausentei, você ousou questionar minha presença. Mais uma vez, estava sendo a vítima do império criado e governado, por nada além de um coração inflado. Logo eu, que sempre estive bem ali, sendo inteira pra você. Logo eu, que você nunca prestou atenção, porque estava ocupado demais me fazendo cravar meus olhos na única coisa que te importava – você.. Não te culpo. Me culpo. Meu imediatismo em preencher suas lacunas para te fazer feliz, na ilusória esperança de me fazer feliz, fez de você o que eu mais repudiava – um garoto mimado. Coloquei todos os tijolos. Um a um. Cada vez que não pensei duas vezes para atender ao telefone quando você me ligou, cada vez que respondi no primeiro segundo as suas mensagens, cada vez que o meu mundo era você e para você… Reforcei seu inconsciente coração egocêntrico. Cada vez que ignorei minhas dores e fui correndo ser abraço para você se acolher,

fiz de você um reizinho egoísta, que queria dominar o mundo, mas jamais seria capaz de ser dono de si, por estar muito aplicado em ser dono dos outros. E por um deslize, me deixei ser súdita, porque por alguma razão não compreendida, achei que estar ali era meu destino, meu lugar. Não sei porque a gente faz essas coisas. Deve ser o valor que damos a cada tijolo. Ali, através dos meus –sempre prontos– ouvidos, você construiu seu império. E eu juro: não quero ser a vítima aqui. Mas a culpa realmente era minha.

A culpa realmente foi minha, por ter almejado sua atenção, quando na verdade, eu devia ter prestando atenção em mim. A culpa realmente foi minha, quando tive a absurda capacidade de ignorar minhas próprias dores, agindo como se elas não fossem importantes -mesmo estando sempre ali. A culpa realmente foi minha, quando não me permití -nem ao menos uma única vez- dar a mim a obrigação de ser minimamente egoísta e -por alguns minutos- olhar para o meu coração. A culpa foi realmente minha, quando eu simplesmente ignorei as batidas do meu próprio coração, para me encaixar erroneamente nas batidas do coração de outro alguém. A culpa foi realmente minha, quando meu coração se despedaçou. E hoje, exatamente assim; imersa em arrependimento e culpa, escrevo para me redimir com meu coração. Escrevo para dizer que eu recolhi cada pedaço. E que a partir de hoje, nunca mais irei admitir, que qualquer reizinho, roube minha coroa, pise em meu reinado, e se fortaleça dentro do reinado que eu construí.

Obs: Essa decisão foi tomada pelo valor de cada tijolo.

Anúncios

Olá! Seu comentário passará por aprovação. Se seguir nossos procedimentos, ele estará disponível em algumas horas.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s